25 de junho de 2008

Canção para todos os povos

Por GUSTAVO FALABELLA ROCHA
A odisséia para chegar a Belo Horizonte já daria uma boa estória. Sem visibilidade suficiente no aeroporto, o vôo que traria o grupo tcheco Farm in the Cave para Belo Horizonte foi cancelado. Então, depois de alugar um micro ônibus e 16 horas de estrada, o grupo chega à cidade. O grupo esteve no Festival de Londrina com mesmo o espetáculo que virá ao FIT BH, "Escravo - A Canção de um Emigrante". E junto de outros três espetáculos abre a primeira noite do Festival.
Viliam Docolomansky traz um semblante cansado, mas não deixa de ser simpático apesar da longa viagem, o Farm chegou a BH às 4h da madrugada. A coletiva marcada para 14h começa pontualmente. Ainda sem almoço, o diretor do espetáculo "Escravo - A Canção de um Emigrante", fala sobre o processo de montagem e as motivações do trabalho. Tendo em sua formação diversos atores de origem eslava, o grupo procurou as comunidades rutenas (Leste Europeu) que têm tradições muito peculiares. Através de cartas de emigrantes da região nos EUA, o grupo colheu estórias que passaram a integrar seu espetáculo. Além disso, cantos ligados a emigrantes foram incorporadas ao trabalho, as canções foram aprendidas e transformadas com o tempo. Essa combinação de elementos pesquisados foi o que permitiu ao grupo chegar à fonte das questões ligadas à emigração. "O emigrante tem uma vida muito árida. Sente-se estrangeiro em um país que não é seu. Lá ele não tem direitos sociais, laços familiares, plano de saúde etc", garante o diretor.
O diretor, eslovaco radicado na República Tcheca, lembra que a palavra Sclavi quer dizer tanto eslavo como escravo. A condição precária - certa escravidão - vivida por vários emigrantes é tratada de maneira mais metáforica dentro do espetáculo. "Buscamos uma poesia que vem do movimento", ressalta Docolomansky. E lembra que a questão central do espetáculo é "Onde é minha casa?". Os Rutenos são um povo que não possuem uma nação, uma bandeira. As tradições são passadas de geração para geração através de uma comunicação direta. Esse fato faz com que a temática do espetáculo seja ainda mais próxima dos integrantes do Farm.
- O estrangeiro que sai de seu país sempre espera o dia em que voltará para casa e idealiza que o tempo não passará enquanto ele estiver longe. Só que o tempo passa, e sua volta nem sempre é bem-vinda. Os filhos crescem, a mulher arruma outro esposo, tudo muda - lembra o diretor.
"Essa busca por um lar, talvez, só se encerre quando morrermos", profetiza. Falando sobre o Brasil, Docolomansky lembra do longo período de escravidão: "vocês são um pais de emigrantes!", ressalta.

Corra, porque os ingressos estão acabando!!!!!

FIT-BH/2008 recomeça hoje, dia 25 de junho, a venda de ingressos a preços normais

Começam a ser vendidos, a partir de hoje, dia 25 de junho, quarta-feira, os ingressos a preços normais, para os espetáculos da 9ª edição do FIT-BH/2008. A partir de agora, não haverá mais venda de pacotes, somente Inteiras (R$ 20) e Meias-entradas (R$ 10). Só poderão ser adquiridos até quatro ingressos para espetáculos diferentes ou dois ingressos do mesmo espetáculo, por pessoa.

Restam agora, os ingressos a preços normais, para todos os espetáculos, dependendo da capacidade de cada espaço. Para os espetáculos dos teatros com maior número de cadeiras, como o Grande Teatro do Palácio das Artes (Rei Yebi, O Poder do Amor Humano, Tangentes), Teatro Francisco Nunes (O Quixote, Once, Pequenos Milagres) e Teatro Sesiminas (Mãe Coragem e seus Filhos, LaLaLuna) há maior disponibilidade de ingressos. Para espetáculos em espaços alternativos há poucos ingressos para venda.

Locais e horários

Nesta etapa de venda de ingressos, que irá até dia 6 de julho, ou até enquanto houver ingressos, a venda será feita nos locais e horários abaixo:
. Espetáculos no Teatro Francisco Nunes: das 12h30 até o início do espetáculo, nas bilheterias do próprio Teatro.
. Espetáculos no Teatro Klauss Vianna/Oi Futuro, Funarte Casa do Conde, Odeon Espaço Cultural, Zap 18, Caixa Clara e Lapa Multshow: das 12h30 até duas horas antes do espetáculo, nas bilheterias do Teatro Francisco Nunes. Depois disso, se houver disponibilidade, os ingressos podem ser adquiridos nos próprios locais de apresentação, a partir de meia hora antes do início do espetáculo.
. Espetáculos no Palácio das Artes (Grande Teatro e Teatro João Ceschiatti), Teatro Dom Silvério, Teatro Alterosa, Teatro Marília e Teatro Sesiminas: nas próprias bilheterias destes locais.

Compre seu Ingresso, agora, para o Ponto de Encontro (Parque Municipal) e evite enfrentar filas na bilheteria do Teatro Francisco Nunes na hora da entrada.

Os ingressos (Inteira R$10 e Meia-entrada R$ 5) para o Ponto de Encontro serão vendidos apenas nas bilheterias do Teatro Francisco Nunes, das 12h30 às 19h. Depois, a partir de meia hora antes da abertura, até meia hora antes do fechamento do Ponto de Encontro, dependendo da disponibilidade de ingressos.

Poderão ser adquiridos até 4 ingressos para dias diferentes ou 2 ingressos para o mesmo dia, por pessoa.

24 de junho de 2008

DIÁRIO DE BORDO - EVENTOS ESPECIAIS FIT-BH/2008

Se vc quiser ficar por dentro do que está rolando nas discussões do Oficina da Cena, dos Eventos Especiais, do FIT-BH/2008, acesse: www.fitbheventosespeciais.blogspot.com
Lá, o mediador das atividades, o crítico Marcelo Castilho Avellar está postando suas reflexões a respeito dos espetáculos e das discussões nos cinco dias das atividades.

Sala de imprensa do FIT BH recebe japoneses e russos

Por GUSTAVO FALABELLA ROCHA
Tinha tudo pra ser uma verdadeira Babel: primeiro, o grupo japonês Shinjyuku Ryozanpaku apareceu na sala de imprensa do Festival Internacional de Teatro representado por seu diretor Sujin Kim acompanhado da manager do grupo, a romena Daniela Pompilia. Com seu bom português, a romena, junto do receptivo do grupo, conseguiu contornar quaisquer ruídos e a comunicação aconteceu. Depois apareceu o russo Anton Adasinskiy, diretor do Grupo Derevo, para falar em inglês sobre seu trabalho e sua expectativa em relação ao Festival.

O grupo Shinjyuku Ryozanpaku define seu espetáculo como um "Lear asiático". Clara referência ao clássico "Rei Lear" de William Shakespeare. O grupo combina elementos tradicionais do teatro Kabuki com arte contemporânea. Cada sílaba da palavra Kabuki representa um dos elementos desse estilo teatral: Ka - corresponde a música ; Bu - dança e Ki - a estética, isto é, a estilização do drama e da maquiagem dos atores. A trilha sonora, executada ao vivo, é composta por instrumentos coreanos ancestrais e também elementos do rock moderno: bateria e teclados.
Tomando de fundo as relações estremecidas entre o Japão e a Coréia, conta a história de um rei e as dificuldades para a definir o sucessor de seu trono. "Rei Yebi é uma comédia muito séria" garante o diretor Sujin Kim.

O diretor esteve em Belo Horizonte na programação do ECUM (Encontro Mundial de Artes Cênicas) com o espetáculo "Ê Janaika - deixa pra lá". Em entrevista coletiva, Kim fala um pouco do processo de trabalho do grupo e também das relações entre Japão e Coréia, que são retratadas na peça. "O Japão colonizou a Coréia por 36 anos. Nesse período, muitos coreanos foram para o Japão, lá os direitos eram diferentes. Os coreanos eram obrigados a trocar seus nomes e proibidos de falarem a língua nativa". O diretor, filho de pais coreanos, agradece a abertura do mercado japonês para jogadores de futebol brasileiro, pois só assim conseguiu um visto permanente para morar e trabalhar no Japão. Sem mudar de nome, é claro.

Quanto as impressões de Belo Horizonte, o diretor só conhecia o Brasil pelo futebol, pela Amazônia e o Carnaval. Morador de um país onde o ritmo de vida e a organização são muito grandes, fica impressionado com a miscigenazação e principalmente com o despojamento relaxado dos brasileiros: "aqui todo mundo deixa pra lá", ressalta.

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Na virada para 2008, o grupo Derevo fez sua última apresentação do espetáculo "Once". E desde então, tem guardado o espetáculo para uma ocasião certa. "Ficamos algum tempo sem fazer o espetáculo e toda vez que fazemos parece a primeira vez", garante o diretor do espetáculo Anton Adasinskiy. O diretor justifica as poucas apresentações por conta do cenário artístico atual da Europa: "As pessoas querem falar apenas sobre temas pesados, grandes ideologias". Parece não ser o caso de "Once" que é definido pelo grupo Derevo "como conto de fadas sobre o amor". Além disso, trata-se de um espetáculo com estrutura mais complexa. Daí, sua alegria em trazer o espetáculo para Belo Horizonte. "As pessoas no mundo inteiro têm seus problemas, a diferença é que no Brasil, mesmo com seus problemas, as pessoas vivem sorrindo", parece ser mais um motivo para a presença de "Once" em Belo Horizonte. "Os brasileiros deveriam ser contratados para ensinar aos russos a viver", provoca o diretor.

O grupo Derevo tem três frentes de trabalho: os espetáculos prontos, caso de "Once"; os improvisos feitos em ambientes não convencionais e grandes projetos, onde artistas são convidados para trabalhar por um período maior. Adaisinkiy ressalta que o grupo não tem uma linha de trabalho definida. A cada espetáculo, uma nova inquietação, nova pesquisa, nova linguagem e um novo resultado. "Once" é fruto de uma pesquisa sobre clowns. "Não basta colocar um nariz vermelho", alerta o diretor. Além disso, o grupo não usa termos como "teatro", "ator", "atuação" etc. "São todos muito ultrapassados", ressalta o diretor do espetáculo.

18 de junho de 2008

ATENÇÃO! ALTERAÇÃO LOCAL WORKSHOP PAULO CHAGAS

O Workshop II sobre Som, corpo e imagem: estética e técnicas de composição acústica e eletroacústica, que será ministrado pelo músico Paulo C. Chagas, dentro da programação dos Eventos Especiais, foi transferido para o Teatro Klauss Vianna/Oi Futuro, no mesmo dia e horário, como abaixo:

Workshop II
Tema: Som, corpo e imagem: estética e técnicas de composição acústica e eletroacústica
Data: 23/6
Horário: 14 às 17h
Local: Teatro Klauss Vianna/Oi Futuro - Av. Afonso Pena, 4001
Público alvo: músicos compositores, criadores, pesquisadores e interessados em música e intermídia.
Vagas: 180 pessoas, por ordem de chegada

Os temas deste workshop são as relações entre a música acústica e eletroacústica e a integração do som com a imagem e o corpo. Paulo C. Chagas analisará algumas de suas obras, abordando questões estéticas e técnicas da composição para vozes, instrumentos, sons eletrônicos e multimídia. O workshop apresentará também uma prévia musical do espetáculo Carne, Corpo e Espírito (cuja estréia se dará no FIT-BH/2008), e discutirá alguns exemplos que serão executados ao vivo pelos músicos do quarteto de cordas, percussionista e cantores.
Paulo C. Chagas é um compositor brasileiro de renome internacional, pesquisador e criador nas áreas de música eletrônica e novas mídias digitais. Entre 1980 e 2004, o músico viveu na Bélgica e na Alemanha e, desde 2004, radicou-se nos Estados Unidos, onde ensina composição na Universidade da Califórnia, Riverside.

O local de realização Workshop I, a ser ministrado no dia 21/6, por Paulo Chagas, continua a ser na Fundação de Educação Artística.

Informações: 3277-4366

Eventos Especiais: Oficina da Cena, palestra, abertura de exposição, abertura Livraria Funarte/FIT, lançamento de livros e da FIT Revista 3

Período: 20 a 25 de junho
Local: Funarte Casa do Conde
Parceria: Centro Cultural UFMG e Funarte Casa do Conde


Terá início na próxima sexta-feira, dia 20 de junho, o projeto Oficina da Cena, que integra a programação dos Eventos Especiais, do FIT-BH/2008. A atividade consiste num ciclo de discussão e mostra de trabalhos cênicos desenvolvidos pelas Instituições Federais de Ensino Superior-IFES (UFMG, UNIRIO, UFOP, UFRJ, UniverCidade, Unicamp) da região Sudeste do país.

O objetivo da atividade é proporcionar espaço de leitura e crítica dos trabalhos cênicos apresentados pelas IFES convidadas, de modo a promover a reflexão sobre os processos criativos elaborados nas salas de aula, bem como estimular a elaboração de parâmetros para a crítica deste tipo de trabalho. Mesas de debate serão compostas, na parte da manhã, com representantes dos IFES e palestrantes convidados. À tarde e à noite, serão realizadas apresentações de trabalhos cênicos desenvolvidos por cada escola.

Condições de participação
Para participar das atividades reflexivas, não há necessidade de inscrição, respeitando-se a ordem de chegada e a lotação do auditório que é de 180 pessoas.
A capacidade máxima para as apresentações dos espetáculos de cada instituição é de 130 pessoas, dando-se prioridade aos integrantes dos IFES. As senhas restantes serão distribuídas aos interessados, 15 minutos antes dos horários das apresentações, por ordem de chegada, à exceção do dia 24/6, em que a capacidade é de 50 pessoas por sessão e a última (20h) estará reservada ao público em geral, que deverá retirar as senhas 30 minutos antes.


Programação:
Data: 20/6

Horário:
9h: Abertura e palestra com Johannes Birringer, professor de drama, performance e tecnologia na Brunel University West of London, diretor do AlienNation Co.

11h: Lançamento dos livros A Nobre Arte do Palhaço, de Mário Libar; Em Busca de um Teatro Popular, de César Vieira; Ritual, Risco e Arte Circense e Teatro e Teoria, de Guilherme Veiga.
Lançamento da FIT-Revista 3
Abertura da Livraria Funarte/FIT
Abertura da Exposição Cacilda Becker

20h: Apresentação do espetáculo teatral O Guesa Errante (UFMG)
Data: 21/6
Horário:
9 às 12h30: Mesa: Processos Criativos nos Cursos Superiores de Teatro e Dança.
Mediação: professora Sara Rojo (FALE/UFMG).
Debatedores: professores/responsáveis pelos espetáculos.
16h: Apresentação espetáculo de dança Quatro (UNICAMP)
20h: Apresentação espetáculo de dança Girakandombe (UFRJ)

Data: 22/6
Horário:
9 às 12h30 – Mesa: Teatro, Dança e Política de Mercado.
Mediação: professores Ernane Maletta e Arnaldo Alvarenga (EBA/UFMG).
Debatedores: Redemoinho (regional BH), Unidança, Sated/MG, Sinparc/MG, Movimento de Teatro de Grupo.
20h – Apresentação espetáculo de dança Vai fazer o quê? (UFRJ)

Data: 23/6
Horário:
9 às 12h30 – Mesa: Literatura e Crítica do Espetáculo Teatral na Atualidade.
Mediação: Fernando Mencarelli (EBA/UFMG).
Debatedores: Valmir Santos, Lionel Fischer e Miguel Anunciação
20h – Apresentação espetáculo teatral Depoimentos às Terras do Brasil (UNIRIO)

Data: 24/6
Horários:
15h, 17h30 e 20h – Apresentação espetáculo teatral Grito - A Voz que não Passa da Boca (UniverCidade)

Data: 25/6 –
Horário: 20h – Apresentação espetáculo teatral Guantánamo: história de Homens e Bichos (UFOP)
 
by Sense8