2 de julho de 2008

Feito na América Latina

Por GUSTAVO FALABELLA ROCHA
A cada nova entrevista coletiva do Festival Internacional de Teatro de Belo Horizonte, alguns pontos comuns ao pensamento e a produção do Teatro latino-americano parecem se confirmar. A bola da vez, o peruano Miguel Rubio Zapata, fala sobre um panorama que soa familiar às realidades vividas por grupos da Bolívia, Colômbia, Equador e Brasil. O que parecia ser mera coincidência geográfica, a Mostra de Teatro Latino-Americano, delineia aspectos inerentes a nosso fazer teatral. A falta de apoio efetivo de governantes através de políticas de Estado, desigualdades sociais transformadas em temáticas e em linguagem, parecem ser os pontos centrais que unem trabalhos de tantos lugares.
O diretor do espetáculo "Feito no Peru: Vitrines para um Museu da Memória" diz que o Peru vive um Boom teatral. Casas cheias e muitos produções no país. No entanto, Zapata garante seu grupo, Yuyachkani, como um grupo à margem. Com 34 anos de estrada, o não estabelecido é o que mais intriga o diretor. Buscas de técnicas e requintes estéticos não movem o trabalho do grupo. Longe do virtuosismo artístico, as temáticas são sempre o primeiro movimento no trabalho dos peruanos. "Contar uma boa história não garante um bom espetáculo", provoca Zapata. O diretor contesta a acepção do espectador enquanto consumidor de cultura. O que se busca é uma relação de interlocução entre quem está no palco e quem está na platéia. "Feito no Peru (...)" é uma leitura da realidade peruana feita pelo Yuyachkani. "O Peru é um país de tradições da cultura popular e o conhecimento foi passado através da oralidade. Além disso, temos o desenvolvimente tecnológico. Dessa forma, computadores convivem com a cultura ancestral", garante o diretor. Tido como instalação cênica, tratam-se de vitrines com cenas concomitantes. O espectador escolhe qual caminho percorrer.
Zapata parece incomodado com o papel que o teatro desempenha na atualidade. O diretor diz que a herança das telenovelas malogra a produção no Peru (alguma semelhança com Brasil?): "As pessoas querem ver se aquelas 'instituições televisivas' são realmente de carne e osso", ressalta. A dificuldade de se atrair público é explicada porque as pessoas realmente não sentem necessidade do teatro. Isso vale tanto para o público quanto para o artista. A questão elementar que tem movido o trabalho do grupo é: Representação x Apresentação. Por que os artistas falam de vidas que não a deles mesmos? "Atualmente, o que nos interessa é o teatro documental. Dar os instrumentos para que as pessoas comuns possam se comunicar através do teatro", ressalta o diretor.

2 comentários:

Unknown disse...

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Paula Biul disse...

espero pder ver o espetáculo logo.

 
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